I
Cá estou
Desejando desdesejar
Sentir mais nada
Desapegar de tudo
Não querer
Não sentir falta
Não sentir nada
Ser uma automação
Indiferente ao mundo
E a si mesmo
Que não chora
Que não ri
Nada no pé da letra
II
Desde tempos
Fiz um voto
Minha promessa
Era nunca me apaixonar
Assim a cumpri
Sem dificuldade
Meu fado
Descoberto foi
Era o desamor
A desgraça perpétua
Minha oração
Era contínua
Uma linha tênue
Infinita
Isso pois
Em sonhos irrealizados,
Verdades pisoteadas
No insucesso enorme,
Da relação inexistente
Não há felicidade
Só sofrimento
Dolorido
III
Meu desejo consciente
Queimou num incêndio criminoso
Como floresta
Amazônica
Virou cinzas
Que o vento levou
Sombreando o enterro
Ao céu claro
Da irmã gêmea
De um discurso azarado
Que passou a ser nublado
Nos céus de meu coração
Que pouca luz vê
E onde nada nasce
O verdadeiro deserto
Árido pela própria
Natureza
IV
A saudade
De minha amada
Fantasmagórica
Jamais vista
Inexistente
Neste astro
Será apenas um
Desejo impossível
De ser curado
Sanado
Por ela ser
Um sonho
Que jamais se
Concretizará
É um ser
Irreal e vaporizado
V
Desde antes a concepção
E a consumação
Lá ele estava
Na parede
Prestes a ser executado
Em uma salva de tiros
Demorou e adiou-se
A data de sua verdadeira
Execução real
E final
O tiro foi certeiro
O fez cair
Penetrou seu peito
No lado esquerdo
Sangrou até a morte
Com espasmos repentinos
Sob ordem matriarcal
O amor está morto,
E bem matado.
Comentários
Profundo, porém triste. Não
Profundo, porém triste.
Não quero que o amor morra pra mim, é um sentimento tão perfeito - desde que não seja pela pessoa errada ou não correspondido.