Eram dois.
Ele olhava para um mar imaginário de livros didáticos sem fim. Seus olhos deprimidos calavam-o, como sempre, apenas os tendo para observar a lentidão da descida do relógio analógico no pulso dela.
Ela planava, em nuvens negras inexistentes. Pensava em sua conturbada inexistência, no que fará na tarde seguinte e a que sucedê-la.
Eram dois.
Que não se importavam com a presença oportuna do outro. Até que alguém teve iniciativa em se retirar. Foi ela, e ele logo abriu sua seca boca:
— Espere.
— Esperar pelo que?
— Por nada, por mim... sei-lá. Fique aqui, comigo.
— Bem, não há nada melhor além de qualquer forma.
Continuaram dois, contemplando a si próprios, em estado de mudez profunda.