Era uma noite típica de verão tropical, marcado por seus mosquitos imperdoáveis e friagem inconstante. Corri freneticamente pelas escadas infinitas de meu pequeno prédio de apartamentos, até que encontrei minha porta. A claridade da normalidade, que era visível através da fenda que havia debaixo da porta, havia desaparecido. Havia apenas uma explicação, que me causava a maior de todas as náuseas: que o fósforo finalmente apagou-se. Quando entrei no quarto, verifiquei a verdade e, sem alternativa alguma, fui ao banheiro para pôr-me a olhar meu próprio reflexo no espelho. Como sempre, fiz pergunta vã ao espelho quieto:
— Espelho, o que agora há mais a se fazer? O fósforo apagou-se, para sempre, espelho!
Chorei, chorei como nunca havia e nunca irei chorar em minha eternidade. Minhas lágrimas logo começaram a formar uma poça dentro de minha cueca feminina. O maldito fósforo apagou-se, e todo o motivo de minha existência foi junto com a essência fosfórica daquele palito queimante: viver para observar a combustão, então eterna, daquele bendito fósforo! O meu desespero então crescia em progressão geométrica, enquanto o volume da tal poça crescia em progressão aritmética. Se assim continuasse, cometeria suicídio de desespero antes mesmo de criar meu próprio oceano de choro. Meus pensamentos continuavam a confundir-me, até que O Nada, grande filósofo, interveio no meio de meu choro e espera por uma resposta espelhada:
— Não há nada, como tu, que és nada. Em imagem e semelhança a mim!
Repliquei sem entender:
— Como assim?
Explicou-me novamente, apontando para o espelho:
— Não há nada, como eu, que sou nada. Sou seu reflexo perfeito, olhe o espelho.
Bem, isso era fato: éramos dois vampiros. Porém, isso não vem ao caso.
O fato era que o fósforo havia apagado-se para sempre. A fumaça então começou a desprender-se do cadáver do palito, invadindo todo o ambiente, até que encontrou abrigo dentro dos sulcos invisíveis do espelho, o acinzentando todo. Era um vírus de espelho, daqueles que o deixam inutilizáveis e abomináveis, como nos filmes de terror comercial, sem dúvidas. Então O Nada interrompeu minha contemplação submergida dentro de uma profunda reflexão acerca da taxonomia dos vírus de espelho:
— Bem, agora é a hora de me mandar. Tchau, irmão!
As frases d'O Nada começaram a passar dentro de meus ouvidos, e olhos, como a melancólica música de Pagode Baiano, ou até mesmo de Axé Music, e seus respectivos clipes musicais. Minha mente então pôs-se a pensar sobre essas frases místicas, que deveriam ter um sentido metafórico complexo e incoerente, porém, com um profundo senso de verdade e aplicabilidade. Concluí, depois de tanto labor mental que nada, ser nada, isso, isso é que há de ser, um não-ser ou ser-não, vácuo cósmico sem importância alguma, o insignificante verdadeiro nada absoluto e irrestrito.
Minha mente clareou-se diante dessa conclusão genial, porém óbvia, que tomei. Quebrei o espelho e reacendi o fósforo com um isqueiro barato que comprei na revistaria da esquina. O mundo voltou a ser mundo, fiquei azarado durante alguns anos e o fósforo voltou a queimar eternamente.
Comentários
Texto feito com o intuito de
Texto feito com o intuito de não fazer sentido algum, mesmo.
Feliz 2009 para quem quer felicidade.
Triste 2009 para quem quer tristeza.
"É isso aê" para quem tá nem aê para nada.
Que vampiro burro. Se eu
Que vampiro burro. Se eu fosse ele, compraria passagens para o México e descolaria umas chicas.
gostei mais agora. pelo menos
gostei mais agora.
pelo menos ele mora em apartamento, se safou de passar em baixo de escada. ;D
feliz 2009 pra você também samoryy!!!
o resto eu entendi, só não a
o resto eu entendi, só não a cueca feminina!?
:)