Ives estava sentado naquela cadeira fazia horas, a sua senha era a 90 e ainda estava na 84. Seis posições atrás. Pode parecer pouco, mas considerando-se que cada um estava sendo atendido de 20 em 20 minutos, com longas esperas incompreensíveis, em meio de risadas dos servidores, saber-se-ia que Ives ficaria, no mínimo, mais duas horas lá. O calor ainda tornava a espera muito mais penosa, pois o suor evaporava dentro daquela pequena sala, tornando o ambiente extremamente úmido e a pele pegajosa. Um saco, sem dúvidas.
Quando finalmente seu traseiro começou a doer, Ives foi tomado por uma surpresa: o número 90 estava nos letreiros digitais. Então ele levantou-se e dirigiu-se para o guichê um, que não possuía número abaixo (ao contrário dos outros). Era um senhor pequeno, mirrado, mas tagarela. Ives queria muito sair de lá, para poder entregar os papeis para pode inscrever-se em um concurso público, porém, o senhor queria mesmo é conversar com seus colegas de trabalho.
O objetivo de Ives era simples: autenticar uma cópia de seu RG, CPF, Título de Eleitor, Certificado de Reservista, Certidão de Nascimento, Certidão de Não-Casamento, Certidão de Vida, Bons Antecedentes Criminais, Bons Antecedentes Civis, Último Visto do Passaporte, Comprovante de Residência, Foto Recente e, é claro, seu Histórico Escolar. Porém, havia um problema crucial que só então o senhor alertou-o:
— Desculpe-me, mas para autenticar o Último Visto do Passaporte, precisa-se de uma autorização por parte da embaixada que a expediu e uma copia autenticada da mesma. O senhor teria?
Ives então tremeu-se e deu a negativa. Teria que voltar outrora, com todos os documentos e a autorização, além de uma cópia autenticada, para autenticar o restante da documentação.
Semanas e chás de cadeira depois... Ives voltou para o mesmo Tabelionato e, naturalmente, esperou horas a fio.
— Senhor, falta a procuração de sua mãe e de seu pai para poder autenticar a Certidão de Nascimento, além de cópias devidamente autenticadas destas. O senhor teria?
Ives estressou-se imediatamente, gritando na cara do maldito servidor. Este, por sua vez, nem piscou. Calmamente, chamou o Sargento de Polícia, que tratou de acalmá-lo e encaminhá-lo para fora da sala.
Semanas e chás de cadeira depois... Ives voltou, já com um tique tosco e característico, para o mesmo Tabelionato e, naturalmente, esperou horas a fio.
— Senhor, vejo que ainda falta o Comprovante de Idade Fotográfica desta foto. Por favor, traga-o cá e com a sua cópia autenticada.
Ives chorou, chorou e chorou desesperadamente, mas, semanas e chás de cadeira depois, voltou para o mesmo Tabelionato e, naturalmente, esperou horas a fio.
Quando finalmente conseguiu as cópias devidamente autenticadas, olhou no manual do candidato do concurso e pôs-se a chorar de forma ainda mais desesperadora: havia perdido as inscrições faziam semanas e chás de cadeira depois.
Comentários
Sem criatividade alguma. Por
Sem criatividade alguma. Por sinal, se houver algum erro gramatical, avise-me! Não tive o devido cuidado com essa prosa, nesse aspeto.
Burocracia é uma merda =p
Burocracia é uma merda =p
Quando li o começo da prosa,
Quando li o começo da prosa, lembrei do meu dia fatídico naquele inferno chamado SAC no estacionamento do Shopping Iguatemi... fiquei horas ¬¬
mas, enfim... =)
Ah! O Sac pelo menos tem ar
Ah! O Sac pelo menos tem ar condicionado =p