O almoço chegou a mesa e os cidadãos puseram-se a comer.
A senhora cidadã, querendo entreter-se e informar-se enquanto comia, ligou a televisão.
Cardápio quente hoje, sangue, morte na periferia, assalto no centro, corpos carbonizados, estupro de menor, marido esquartejado e frito, mulher esfaqueada por dois reais, tráfico de drogas, corrupção na polícia, desgraça! Socorro, meu Deus, não quero morrer! A televisão gritava em desespero. Se tivesse pés sairia correndo.
O senhor cidadão, indignado, vomitou reclamações. Isso é horário para ficar mostrando essas coisas na televisão? Absurdo, um verdadeiro absurdo, tira a fome.
Tira mesmo.
Morte, morte, falar de morte nesse horário?
Olhou para o prato, parou. Acordou, vomitou.
Morte, dor, sofrimento, escravidão, esquartejamento, bicadas, violência.
O que foi amor? O prato, o prato está na televisão ou a televisão está no prato, não sei bem. Perdeu a fome? Totalmente.
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"Cardápio quente hoje,
"Cardápio quente hoje, sangue, morte na periferia, assalto no centro, corpos carbonizados, estupro de menor, marido esquartejado e frito, mulher esfaqueada por dois reais, tráfico de drogas, corrupção na polícia, desgraça!"
Felizmente a Globo é tão boazinha que ela sempre coloca as notícias de entreterimento e esportes no final, para podermos dormir tranquilos.