A vaca leiteira entristecida
come sua ração sem gosto
no tédio do cubículo que lhe
impuseram como moradia.
Arrancaram seu filho bezerro
de suas tetas inchadas e inflamadas,
pela força feita por máquinas que
sugam o bovino leite materno
para amentar gente humana feita.
O bezerro não conhece sua mãe,
nem conhece a bovina vida fora do
buraco de tortura em que mora.
Nem sequer sabe o que é comida
que bezerro de verdade come.
São máquinas de fazer leite,
e carne de muitos cifrões,
nada mais que coisas que
berram e sabem que vivem,
ou melhor: sobrevivem.