Ontem foi o aniversário de um ano de meu blogue. Espero que não deixei muito a desejar, se deixei, me digam para que isso não venha a repetir-se nesse novo ano!
A Central Única da Criatividade
deflagrou uma greve geral
sem sequer discutir.
O Sindicato das Letras
recusa-se colocar um A
no papel feito de bits.
O Sindicato das Fotos
não quer ver uma câmera
nem filmadora sequer.
O Sindicato Gráfico
esqueceu como usar o Gimp,
acho que deixou de existir.
O sindicato patronal foi traído.
Da batalha onde todos
somos imortais,
de onde as baixas
não passam de deserções,
tirei minhas forças.
Pois nessa guerra
apenas os que se nutrem
das batalhas numerosas
um dia verão a vitória,
ou antes morrerão.
Mas morrerão sabendo
que suas ações não serão
em vão nem vãs
e que a vitória estará próxima
pois sua parte já foi feita,
e o exemplo será seguido.
Uma brincadeira que a Ana Celine começou, e ela indicou o Helder , que indicou para o Uriel, que indicou Maria e ela me indicou... apesar de não curtir esse tipo de coisa ¬¬ (comentário meu).
As regras são:
1- Colocar o link de quem te indicou
2- Escrever as regras do jogo para a brincadeira ficar mais clara
3- Indicar 3 blogueiros para dar continuação à essa bodega
4- Avisar quem foi indicado
Brincadeira :
Há 10 anos atrás:
× Eu tinha 8 anos...
× Era muito zoado no colégio
× Confundia inglês com português direto... “Thank you!”
× Não fazia meus deveres de casa!
× Acreditava no Lula.
Há 5 anos atrás:
× Eu tinha 13 anos...
× Fui enganado pela Veja :o .
× Parei de gostar de Matemática.
× Era comunista.
× Só pensava em jogos de computadores.
Há 2 anos atrás:
× Entrei no grêmio e passei a reclamar menos das organizações.
× Passei a escrever meu poeminhas.
× Entrei na academia achando que ia ficar malhado.
× Aprendi a nunca subestimar a idiotice alheia.
× Parei de ser comunista, definitivamente.
Ontem:
× Li Setembro não tem sentido, Ubaldo Ribeiro.
× Publiquei Diálogo Desconexo nesse blogue.
× Provei uma hambúrguer de arroz muito bom.
× Esperei por alguma notícia de estágio...
× Recebi esse questionário.
Hoje:
× Cacei citação bíblica, apesar de não ser cristão.
× Respondi esse questionário.
× São meia noite.
× Então é meio difícil
x Ter feito algo, entende?
Amanhã:
× Vou para o espanhol.
× Vou tentar permanecer acordado no espanhol.
× Vou encontrar minha vó.
× Vou procurar algo vegan num restaurante que sie que não tem coisas vegans...
× Talvez coma quinua.
Coisas que eu não vivo sem:
× Comida vegetariana.
× Água.
× Pessoas legais.
× A Jade.
× Uma solução gasosa de oxigênio e nitrogênio.
Coisas que eu compraria com 1.000 reais:
× Uma câmera fotográfica nova.
× Livros.
× Muitos livros.
× Um ingrediente importado aí.
× Uma máquina de fazer leites vegetais.
Maus hábitos..:
× Ao chegar em casa, ligar o computador apesar de não ter perdido nada nele.
× Levar o MP3 descarregado para passear, sem saber que ele tá descarregado.
× Caçar atos de vandalismo na Wikipédia, apesar de não ver um faz uns três meses.
× Falar “Enfim, é isso aí” quando não tem nada para falar.
× Olhar os meus emails de 20 em 20 minutos.
Programas e tv (ela tá desligada já fazem dois meses hehehe):
× N/A
× N/A
× N/A
× N/A
× N/A
Coisas que me assustam:
× Pandemias
× Animais peçonhentos
× Pessoas armadas.
× Ruído de arma de fogo.
× Ter que voltar a estudar Física e Matemática de Ensino Médio :o .
Lugares que eu gostaria de ir:
× Pantanal (Matos Grossos)
× Palmas (Tocantins)
× Vancouver (Colômbia Britânica, Canadá)
× Istambul (Trácia, Turquia)
× Luanda (Angola)
Pessoas indicadas:
× Antônio Almeida.
× Letícia Andrade.
× Lais Almeida.
O blogue de Maria é o Sapatilha Velha, http://sapatilhavelha.blogspot.com/
─ O povo não faz nada Alberto, nada!
O senhor de camisa de botão falava tentando manter um certo ar de seriedade.
─ Não faz nada mesmo Ricardo, nadinha.
─ Sabe o quê o povo tinha que fazer com esses corruptos que estão no planalto? Matar, matar um por um. Colocar todo mundo no paredão e pow! Miolo de corrupto para tudo que é lado.
─ Mas o povo fica de braços cruzados, não fazendo absolutamente nada a respeito.
─ Isso porquê o povo brasileiro é pacífico, passivo. Se fosse nos EUA ou na Rússia, você veria só... não ia ter escapatória além da Revolução. Agora, por que ninguém organiza uma guerrilha ou algo assim? Porque só tem preguiçoso aqui. E temos que lembrar que preguiça é pecado capital.
─ E tem que ser mesmo, neguinho não quer trabalhar não! Outro dia eu estava passando perto da Federal e vi um pichação... por isso que gentinha porca em?
─ Pichação? Isso é coisa de universitário? É coisa de malandro isso sim.
─ Mas sim, nessa pichação estava escrito “Presidente, tire as tropas do Haiti!” Se eles realmente quisessem isso teriam montado um enorme movimento para isso. Eu mesmo iria apoiar.
─ Eu não, o Brasil precisa de colônias.
─ Colônia o quê Ricardo?
─ Sim, colônias. Os EUA têm suas colônias, por quê a gente não as têm? Porque somos passivos, isso sim. A gente deixou a Bolívia escapar, não podemos abrir mão do Haiti não, meu caro.
─ Pra que serve o Haiti? Lá só tem... bem, isso cá entre nós, okay?
─ Okay.
─ Lá só tem pobre e malandro.
─ Sim, sim... mas um pouco de verde no mapa do Caribe não caí mal não, né?
─ Se nós não conseguimos controlar os malandros e pobres daqui, como iremos controlar os de fora, ein?
─ Isso é problema do governo, do governo, não venha me meter nessa. O governo é responsável pela segurança pública.
─ Ele não é não, se fosse não estaríamos presos em nossas casas.
Alberto riu como um tubarão, se tubarões rissem.
─ Mas você sabe por quê? Porque só tem corrupto no governo, só tem isso. Não tem um honesto lá, nenhum. Por isso que não voto mais, sempre justifico. Mandei meu título de eleitor lá para o interior mais roceiro que tem.
─ Eu votei, mas com consciência.
─ Consciência o quê? Consciência não leva ninguém a lugar nenhum.
─ Eu votei em meu irmão.
Alberto voltou a rir.
─ Mas é impressionante como tem corrupto nesse país... outro dia estava em um restaurante, consegui fazer um esquema para não pagar todos os couverts. Até o garçom é corrupto.
─ Todo mundo querendo tirar uma lasca.
─ É por isso que o Brasil não vai para frente. Se não houvesse mais gente honesta como eu e você a gente superaria todos os rankings. O Brasil tem tudo para isso, menos esse povinho.
─ Por sinal, e os sem-terra. Tem tanta terra aí, e eles ficam invadindo fazenda. Aí, aí.
─ Né não? Bando de malandro.
─ Pobre é assim, você dá a ele uma meia ele já tá querendo o seu guarda-roupa todo.
─ Bem, a conversa tá boa, mas tenho que ir pegar as crianças na escola.
─ Vá lá, a gente se vê mais tarde.
─ Até.
A prática do especismo acontece em diversos lugares, porém é na alimentação que ele floresce com maior notoriedade e visibilidade. O hábito de consumir carne, além de laticínios e ovos, tornou a alimentação da maioria da sociedade um quadro horrendo do mais mórbido especismo. Claro, o especismo não para no prato, ele se estende nos vestimentos, nos produtos de limpeza e farmacêuticos, na linguagem (“espírito de porco”, “Atirei o pau no gato”, entre outras pérolas), nas religiões e em quase todo tipo de atividade humana imaginável. A humanidade está impregnada do especismo.
As justificativas são as mais diversas e de todos os cantos: religiosas (apesar de teólogos antiespecistas), morais (apesar de filósofos antiespecistas), biológicas (apesar de pessoas como eu, que aboliram boa parte do especismo em sua alimentação), científicas (apesar dos cientistas antiespecistas) ou simplesmente pela natureza. O curioso, talvez, seja a semelhança muito próxima entre as justificativas do especismo com o do racismo: a de que Deus conferiu o domínio (no sentido de poder fazer o quê quiser, apesar de ser uma criação também divina, até mesmo crueldades típicas do satanás) sobre os animais não-humanos aos humanos; a de que seres humanos por possuírem determinadas virtudes têm direitos enquanto os não-humanos não os têm (essa é ainda mais perigosa, como explicarei no próximo parágrafo); a de que seres humanos são superiores a todos os não-humanos por simplesmente serem seres humanos; a de que seres não-humanos são os melhores modelos para testarem produtos ou técnicas a seres humanos; ou a de que o fato dos seres humanos serem seres humanos os fornecem direitos. Caso você venha a substituir “animais não-humanos” por raça/sexo diferente e “humanos” por sua raça/sexo, você terá um discurso racista ou sexista pronto. Obviamente, apenas o argumento científico será válido e aceitável logicamente (apesar de imoral).
Agora, um das justificativas mais ouvidas por um antiespecista é a de que as virtudes inerentes aos membros de nossa espécie serem as que nos fornecem nossos direitos. Tais virtudes normalmente estão ligadas à, ou simplesmente a é, inteligência. O problema começa com nossos representantes mais novos, que são menos inteligentes do que vários animais não-humanos. Portanto, eles não teriam direitos. Claro, aí apresentam a defesa por ter alguém que se importe com eles, que seriam seus país. Se não os fossem, seria a espécie ou coisa parecida. Se assim for, o fato de haverem pessoas antiespecistas protegeria todos os animais não-humanos, mas não é assim como funciona. O mesmo ocorre àqueles que não possuem capacidade cognitiva dentro dos padrões humanos, assemelhando-se a outros animais não-humanos; se fosse assim eles também não teriam direito. Portanto, a virtude da inteligência não pode ser o que nos confere nossos direitos fundamentais. Pensar de tal forma iria justificar a matança trivial de indivíduos com direitos já consolidados, como ocorre com os animais não-humanos.
Além dessas, ainda hão as justificativas mais trívias que são o gostar de comer carne ou de fazer e ver animais não-humanos sofrerem em nome do prazer e do entretenimento. O primeiro é fútil, comparado com as consequências nefastas que estão ligadas (se essa justificativa fosse aceitável e se fosse comprovado que carne humana fosse deliciosa, seria justo o canibalismo não-voluntário) enquanto o segundo não merece comentários devido a sua doentia loucura e insanidade.
Não irei mais me debruçar em cima de argumentos pró-especistas, além da defesa daqueles que são antiespecistas, pois isso iria requerer um texto muito maior do que o que proponho e fugiria da questão a qual estou expondo. Porém, àqueles que queiram conhecer mais, recomendo o livro Jaulas Vazias de Tom Regan.
A permanência, portanto, dessa ideologia no seio de nossa sociedade é de grande perigo a ordem moral contemporânea. Sua lógica nos permite regressar a realidades morais repugnadas por nossa civilização, realidades as quais eram marcadas por justificativas fracas e infundadas (como aquelas que sustentam o especismo na atualidade) para ações covardes e cruéis sem nenhum sentido contra membros de nossa própria espécie.
Salvador virará mar!
Ou um grande lamaçal.
Mas ninguém que não
é de cá ou mora aqui irá
dar-se conta, pois não interessa
o que acontece acima do sudeste.
O Maranhão e Piauí
já se entregaram ao mar e aos rios.
Mas fora dos cocais,
pouco sequer se chiou,
pois lá fica ao norte
longe de nosso grandioso sul.
As águas estão lavando o norte
como já lavaram o sul,
mas ninguém irá chorar agora
pelos mortos e desabrigados
que vivem ao lado do equador.
Nem alguns que cá moram.
Seu colégio, o Colégio Nacional Elói de Sá, ficava na praça Almirante Cláudia Almeida, cujo meio era demarcado por uma imponente estátua veicular da famosa líder revolucionária. Porém, da janela do ônibus apenas se conseguia ver uma nuvem cinza que se assemelhava, vagamente, àquela estátua. O resto não passava de névoas de verde e marrom, em meio da chuva torrencial.
Ao sair do ônibus, Liberato correu, quase tropeçando, para dentro do colégio. Encontrou a portaria quase que abandonada, tendo como responsável apenas um segurança em vez dos três que normalmente cumprimentava diariamente:
─ Bom dia.
─ Bom dia, Liberato.
A maioria dos funcionários deveriam ter se negado a sair de casa devido a chuva, o fato de ser um feriado nacional colaborou na evasão massiva.
Liberato corria. Mas sua pressa não era devido sua grande e legítima vontade de assistir a aula de Atualidades, mas sim por causa da intolerância do professor com qualquer atraso, faça chuva, faça sol, e sua natural necessidade de aprovação na matéria para concluir o curso. Quando abriu a porta, deparou-se com o professor carrancudo:
─ São horas, Liberato?
─ Bom dia professor.
─ Vamos, sente-te e permaneça em silêncio. Já bastou a distração que causaste agora, viste?
Por ironia do destino, o professor era vizinho de Liberato, mas sempre o negava uma possibilidade de o dar carona. Suas justificativas eram fracas ou até mesmo infundadas e descaradas mentiras, o que causava um grande enfurecimento na alma de Liberato.
A monotonia da aula de Atualidades era uma constância para os estudantes do Elói de Sá, a sua falta de dinamismo e método educacional ultrapassada deixavam a aula quase que intolerável para qualquer um assistir. Porém, o cenário alterava-se de forma substancial quando a polêmica se instalava na sala de aula. Isso só ocorria quando, para o azar de Liberato, as bases ideológicas de seu amado partido eram colocados em pauta e atacadas sem dó.
─ Silêncio!
O professor, certamente autoritário, não tolerava a mínima conversa fiada em suas aulas, tanto as paralelas quanto as perpendiculares. A forma a qual impunha sua visão de mundo aos estudantes era tão evidente, que apelidavam a aula dele de “aula de Doutrinação”. Para ele, o Partido Ecologista não passava do maior reduto de hipócritas e corruptos, a fonte de todos os problemas que o país era castigado.
─ Que dia é hoje?
─ Dia da Revolução, professor.
─ Dia da Revolução ou seria o Dia do Entreguismo? Do do Golpe? Mas da revolução? Me poupem. Essa suposta revolução não passou de um tremendo golpe muito bem arquitetado e planejado. Esse discurso de revoluçãozinha foi apenas feita para enganar o povo. Mas não foi feito para enganar a vocês. Vocês precisam entender que esse golpe não passou de uma conspiração ecologista internacional. Nada mais, nada menos do que isso.
Prontamente um colega de sala de Liberato, conhecido por ser um grande bajulador desse infame professor, levantou a mão e, quando a palavra foi dada a ele, passou a discorrer um discurso de total apoio ao do mestre:
─ Realmente, desde que o Partido Ecologista assumiu o poder estamos economizando e racionando energia, água e até comida! E olhe que nós não temos falta desses recursos, simplesmente é por capricho ambientalista deles. Nem carne sequer agora podemos comer! Nem carne! Até carne é “ecologicamente incorreta"! Isso é um ataque as pilares de nossa civilização, né professor?
─ Exatamente, uma afronta a nossos princípios básicos.
Liberato já não aguentava mais. Interviu sem muito pensar, sem hesitação:
─ Isso é aula de Atualidade ou uma aula de Doutrinação Subversiva? Me parece ser o segundo, professor.
─ Silêncio! Peça permissão antes de abrir a boca em minha sala de aula. Mas sim, que seja o que tu falaste, o que tu farás então? Me denunciar?
O professor riu, mas riu um riso contido. Porém esse riso não foi o suficientemente discreto ao ponto de passar imperceptível a todos os alunos silenciados e, sobretudo, Liberato. O nervosismo passou a consumir Liberato por completo, ele iria o denunciar.
─ Sim, é isso que farei, o denunciar!
─ Me denunciar Liberato? Tu passaste de todos os limites, saía de minha sala! E não volte na próxima aula, tu estás suspenso dela.
─ Eu estava pensando já em me retirar. E não se preocupe em me ver na próxima aula, pois ela nem sequer irá existir! Lhe garanto isso, professor.
O professor ficou extremamente sério diante da gravidade do quê podia vir, porém continuo a dar sua suposta aula com poucas interferências mentais e de seus pupilos.
Liberato saiu da sala enfurecido, desceu as escadas correndo e logo estava na rua molhada. A chuva já havia parado, mas a água ainda não desaparecera completamente. Logo no outro lado encontrava-se seu próximo destino: a Delegacia Especial Política e Ecológica, responsável por crimes políticos e aqueles cometidos contra o meio-ambiente, conforme o Ato Ecológico.
Ao chegar na delegacia, Liberato teve muita sorte: encontrou policiais de plantão dentro daquele prédio intimidador:
─ Senhor, em que posso lhe ajudar?
─ Tenho uma denúncia de subversão.
─ Olhe, caso seja um trote saiba que existe uma punição que realmente é aplicada.
─ Não, não é um trote.
─ Se realmente não o for, preencha esse formulário.
O oficial entregou-lhe um extenso requerimento de inquérito sobre a tal atividade subversiva, mais de vinte campos a serem preenchidos. Exigia-se detalhes com tremenda precisão, como o horário e local do crime, nomes de testemunhas, transcrições fiéis das falas subversiva e outras muitas informações preciosas (e outras inúteis). Sorte de Liberato que sua mente não o traíra, pois nenhuma informação ele não sabia dar. Finalmente o formulário estava preenchido e foi entregue sem maiores delongas.
Ao sair da delegacia, Liberato sentia-se renovado. Tinha feito sua benfeitoria do dia: salvar seus colegas, e outros futuros estudantes que os sucederiam, de um profissional subversivo como aquele. Além do mais, o professor também aprenderia a dar-lhe carona, de uma vez ou outra.
(Coff, coff)
A gripe suína chegou
para acabar com a vida
monótona do cidadão.
(Coff, coff)
É hora de pegar
em máscaras,
desenvolver vacinas e
levar quem estiver mais
quente ao ostracismo!
(Coff, coff)
Pois remediar é
melhor do que prevenir!
(Coff, coff)
Esqueçamos a causa
de tanta desgraça.
Abandonamos a obviedade,
os porcos numerosos
sob nossos tetos e mãos
tão caridosas!
Mãos que castram sem anestesia.
Tetos que assombram a vida deles,
milhões, senão bilhões!
E vivemos,
aqueles que sobreviverão,
tossindo sem precisar.
Diga àqueles
que ainda me esperam,
lá do outro lado,
que não mais voltarei,
pois já andei demais
nesse túnel ideológico.
Não tenho lanterna
e meu único guia
é a luz no fim do túnel.