Nos primórdios
Meus versos
Nem ponto e vírgula
Tinham
Hoje,
Ambos dominam
Minha poesia.
— E o futuro?
Os travessões
interrogarão
em meio às minhas
exclamações!
Dizer-se-ia uma evolução...
Talvez uma "involução".
Mas certamente
uma mutação.
Quando a hora de
Dizer adeus
Já passou-se
Faz tempos incontáveis,
O suicida dança.
Dança a dança indançável,
Da morte tão repugnada.
O suicida canta.
Canta a canção da desgraça,
Da vida que mal vivera,
Cujos maus apenas ele sabe.
O suicida compõe.
Compõe seu poema testamento,
Que será lavado com seu sangue,
Imortal.
E o suicida mata.
Mata a si próprio,
Frente a si,
Que só faz chorar
Ou sorrir.
No meio da confuso que era a sala de cartas da seção de Correios e Telégrafos, o funcionário solitário procurava organizar a quantidade infinita de cartas que estavam no chão da sala, para mandá-los para os respectivos deparamentos adequados. Enquanto remexia a montanha de papel, deu-se com uma carta em um envelope vermelho, escrito URGENTE em letras brancas. Abriu e leu:
Caro Senhor Deus,
O político estava tentando, com aparente sucesso, conseguir a atenção de sua plateia meio que apática.
— Senhores! Tenho ótimas notícias para vós!
Com falso entusiasmo, o engravatado pegou do vácuo um pendrive e inseriou-o no laptop que estava acima de sua mesa. Quase que imediatamente, a apresentação de slides projetou-se na parede branca da sala em que todos estavam. Diante de gráficos e tabelas crescentes, projetos de leis sem-fim e fotos de relevância, a plateia aumentou sua simpatia.
Estou fazendo o lançamento oficial de minha primeira compilação de obras literárias. SPSProsas, como o nome sugere, apenas abrange minhas prosas não-opinativas, sendo que esta edição apenas contem aqueles que escrevi entre em 2007 e 2008.Baixe aqui, em PDF.
Ives estava sentado naquela cadeira fazia horas, a sua senha era a 90 e ainda estava na 84. Seis posições atrás. Pode parecer pouco, mas considerando-se que cada um estava sendo atendido de 20 em 20 minutos, com longas esperas incompreensíveis, em meio de risadas dos servidores, saber-se-ia que Ives ficaria, no mínimo, mais duas horas lá. O calor ainda tornava a espera muito mais penosa, pois o suor evaporava dentro daquela pequena sala, tornando o ambiente extremamente úmido e a pele pegajosa. Um saco, sem dúvidas.
Em Solteirópolis, missionários
Do amor pregavam suas palavras,
Sem restrição e noção da realidade
De sacanagem e escrotidão.
O amor cura nada, nada cura.
Já levou a construção de monumento
Que matou tantos outros que
Com ele nada tinham a ver.
Diz a missão que é um tipo anormal:
O amor doentio que deve ser
Combatido em todas as frentes
Como em Guerra Mundial.
Mas é a natureza fundamental
Do amor entre essa gente.
No antigo Egipto,
As lágrimas de Portocale
Jamais hão de ter
O mesmo aspecto.
Pois hoje,
Na época das saudações
A mais uma volta planetária
Arredor da estrela amarela,
A ideia não terá mais acento.
Faremos trabalhos extraescolares
De paraquedas,
De fato!
Do Timor Leste até o Brasil
De Porto Alegre ao Porto.
Agora samos forçados
A escrever com grafia igual.
Viva a nossa aliança!
Ao menos no aspeto ortográfico.
E abaixe a resistência,
Reacionária como sempre.
Era uma noite típica de verão tropical, marcado por seus mosquitos imperdoáveis e friagem inconstante. Corri freneticamente pelas escadas infinitas de meu pequeno prédio de apartamentos, até que encontrei minha porta. A claridade da normalidade, que era visível através da fenda que havia debaixo da porta, havia desaparecido. Havia apenas uma explicação, que me causava a maior de todas as náuseas: que o fósforo finalmente apagou-se.